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Andes

Linhas de Nazca: o que são, quem as fez e o que a pesquisa descarta

Figuras e retas traçadas no deserto da costa sul do Peru, visíveis sobretudo do alto. A técnica é simples; a função, essa sim, continua em aberto.

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  • Leituracerca de 4 minutos
  • Referências4 obras e acervos

Em resumo

  • Os geoglifos foram feitos pela sociedade Nasca, aproximadamente entre 100 a.C. e 800 d.C.
  • O traçado remove o revestimento escuro do solo e expõe a camada mais clara por baixo.
  • Há figuras de animais e plantas, e um número muito maior de linhas retas e trapézios.
  • A função ritual, possivelmente ligada a água, é a leitura mais aceita; pistas de pouso não têm evidência.

O que se vê no pampa

Na planície desértica entre os vales de Nasca e Palpa, no Peru, existem centenas de geoglifos: desenhos obtidos por remoção da superfície. O solo do pampa tem uma crosta de pedras escuras; abaixo, o sedimento é mais claro. Tirar a crosta produz um traço que o clima extremamente seco conserva por séculos.

O repertório inclui um colibri, um macaco, uma aranha, uma baleia, mãos, árvores — as figuras que circulam em fotografias — e, em quantidade bem maior, linhas retas de quilômetros, trapézios e feixes que convergem em pontos. Ignorar as retas e falar só dos animais distorce o conjunto.

Quem fez e quando

A sociedade que os arqueólogos chamam de Nasca ocupou esses vales da costa sul aproximadamente entre 100 a.C. e 800 d.C. (grafias Nasca e Nazca circulam; Nasca costuma designar a cultura, Nazca a cidade atual). Antes deles, a tradição Paracas já produzia geoglifos na região de Palpa. Depois, outras ocupações reutilizaram o pampa.

Não é obra de uma tarde nem de um gênio isolado. Há sobreposições, retraçados e diferenças de estilo que indicam uso prolongado. A cerâmica Nasca, policroma e de alta qualidade, e os aquedutos subterrâneos chamados puquios, alguns ainda em funcionamento, completam o mesmo mundo técnico. O conteúdo sobre Nazca descreve essa sociedade além dos desenhos.

Como se traça uma figura de 100 metros

A escala impressiona, a geometria não exige tecnologia desconhecida. Estacas, cordas e alinhamentos visuais bastam para construir retas e curvas. Experimentos modernos reproduziram figuras com ferramentas simples. Não é necessário vê-las do céu para executá-las: quem traça no chão trabalha com segmentos e pontos de referência.

Que muitas figuras só se leem bem do alto é fato. Isso não implica que tenham sido feitas para um observador aéreo. Podem ter sido caminhadas, vistas de encostas próximas ou simplesmente executadas segundo uma planta ritual que não previa contemplação panorâmica.

Para que serviam

Não há inscrição que o diga. As hipóteses com mais lastro arqueológico ligam os geoglifos a práticas rituais relacionadas à água num deserto em que os rios são sazonais: caminhos processuais, ofertas, alinhamentos com nascentes ou com o horizonte. Johan Reinhard e outros pesquisadores enfatizaram montanhas e cultos de fertilidade. Maria Reiche, que dedicou décadas ao mapeamento, privilegiou leituras astronômicas; parte delas não se confirmou com o rigor estatístico posterior, embora alguns alinhamentos persistam como possibilidade.

Uso agrícola direto — os traços como irrigação — não se sustenta: as linhas não conduzem água. Calendário agrícola exclusivo também não fecha para o conjunto inteiro.

O que não são

  • Pistas de pouso. Não há evidência de veículos, combustível, estruturas de apoio nem qualquer material fora da cultura Nasca e de ocupações andinas posteriores.
  • Mensagem para visitantes de outro mundo. A tese só funciona se se parte do princípio de que agricultores do deserto não poderiam organizar trabalho coletivo. O princípio é falso: os mesmos vales têm aquedutos, terraços e cerâmica sofisticada.
  • Obra inca. Os incas chegaram à região séculos depois. Reutilizaram paisagens; não são os autores do núcleo clássico dos geoglifos.

O conjunto foi inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO em 1994. A ameaça atual é prosaica: estradas, ocupação urbana e trilhas irregulares sobre o pampa.

Perguntas frequentes

Quem fez as linhas de Nazca?

A sociedade Nasca da costa sul do Peru, aproximadamente entre 100 a.C. e 800 d.C., com antecedentes Paracas na região de Palpa. Não foram os incas nem visitantes de outro continente.

Como as linhas de Nazca foram feitas?

Removendo a crosta de pedras escuras do pampa e expondo o sedimento mais claro. Estacas e cordas bastam para marcar retas e curvas. Experimentos modernos reproduziram figuras com ferramentas simples.

Para que serviam as linhas de Nazca?

Não há resposta fechada. A leitura com mais apoio liga os geoglifos a rituais relacionados à água e a percursos cerimoniais. Explicações astronômicas valem para alguns traços, não para o conjunto. Pistas de pouso não têm evidência.

As linhas de Nazca só podem ser vistas do céu?

Muitas figuras se leem melhor do alto, mas encostas próximas também oferecem vista parcial, e a execução no chão não exige perspectiva aérea. Visibilidade aérea não prova finalidade aérea.

As linhas de Nazca são património da UNESCO?

Sim. As Linhas e Geoglifos de Nasca e Palpa foram inscritas na Lista do Patrimônio Mundial em 1994.

Ainda se descobrem geoglifos em Nazca?

Sim. Fotografia aérea, drones e, em anos recentes, ferramentas de análise de imagem têm revelado figuras adicionais na região de Nasca e Palpa. O inventário não está fechado.

Referências

Obras, instituições e acervos consultados na preparação deste texto. Nenhuma afirmação foi incluída sem apoio em pelo menos uma dessas fontes.

  • Helaine Silverman e Donald A. Proulx, pesquisas sobre a sociedade Nasca.
  • UNESCO, Centro do Patrimônio Mundial: Linhas e Geoglifos de Nasca e Palpa (1994).
  • Ministerio de Cultura del Perú, zona arqueológica de Nasca.
  • Johan Reinhard, estudos sobre geoglifos e cultos de montanha nos Andes.

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