Em resumo
- Centenas de estruturas de valas geométricas foram registradas no leste do Acre e em áreas vizinhas.
- As datações se espalham aproximadamente entre dois mil e seiscentos anos atrás.
- Muitos recintos têm pouco refugo doméstico, o que favorece leituras cerimoniais ou de reunião.
- Não são obra inca, nem extraterrestre, nem cópia das linhas de Nasca.
O que o satélite mostrou
A partir dos anos 1970, e com força nos anos 2000, o desmatamento e as imagens aéreas revelaram no Acre — e em Rondônia e na Bolívia vizinha — recintos de planta regular: círculos, quadrados, retângulos, às vezes compostos, com vala e, em muitos casos, um aterro interno. O lado pode ter dezenas ou mais de cem metros. O inventário já passou de quatrocentos no Acre; o número cresce quando novas áreas são abertas ou sobrevoadas.
Denise Schaan, Martti Pärssinen e equipes brasileiras e finlandesas estão entre quem descreveu o fenômeno. A floresta cobria o desenho. Isso não significa que a floresta da época da construção fosse a mesma de hoje: há debate sobre o quanto a paisagem era mais aberta, com clareiras e manejo.
Reunião, rito, moradia — o que a evidência segura
Em vários recintos o lixo cotidiano é escasso. Isso enfraquece a leitura de aldeia permanente e fortalece a de espaço cerimonial, de encontro ou de marcação territorial usado em momentos específicos. Outros sítios da mesma região têm ocupação doméstica mais clara. Não é um único tipo de lugar.
Comparar com Nazca é tentador e enganoso. Nasca são traços superficiais no deserto, feitos por uma sociedade da costa peruana. Os geoglifos acreanos são valas escavadas em terra amazônica, em outra cronologia e outra economia. O artigo sobre as linhas de Nazca serve para contrastar, não para unificar.
O paradoxo da visibilidade
Só vimos o conjunto porque a floresta caiu. A mesma abertura que revela o desenho expõe o sítio a arado, gado e loteamento. O Iphan e universidades locais tentam cadastrar e, em alguns casos, preservar. Poucos geoglifos são visitáveis de forma organizada.
Somados à terra preta e aos tesos de Marajó, esses recintos são o argumento mais direto contra a Amazônia vazia. O panorama do território antes de 1500 amarra as pontas.
Perguntas frequentes
O que são os geoglifos do Acre?
Estruturas de valas em planta geométrica — círculos, quadrados e combinações — escavadas no solo da Amazônia ocidental, reveladas em massa por desmatamento e por imagens de satélite.
Quem fez os geoglifos do Acre?
Sociedades indígenas da região, ao longo de um intervalo que as datações situam aproximadamente entre dois mil e seiscentos anos atrás. Não conhecemos o nome que se davam.
Os geoglifos do Acre são iguais às linhas de Nazca?
Não. Nazca são traços superficiais no deserto peruano. Os acreanos são valas em terra amazônica, de outra época e de outra sociedade. A semelhança está só na palavra geoglifo e na vista aérea.
Para que serviam os geoglifos do Acre?
Não há resposta fechada. A escassez de lixo doméstico em muitos recintos sugere uso cerimonial ou de reunião, mais que aldeia permanente. Há variação entre sítios.
Quantos geoglifos existem no Acre?
Mais de quatrocentos já foram registrados no estado, além de estruturas semelhantes em áreas vizinhas. O inventário continua aberto.
Pode-se visitar os geoglifos do Acre?
Alguns estão em propriedades particulares e poucos têm estrutura de visitação. Como são sítios arqueológicos, o acesso depende de autorização e de cuidado para não erodir as valas.
Referências
Obras, instituições e acervos consultados na preparação deste texto. Nenhuma afirmação foi incluída sem apoio em pelo menos uma dessas fontes.
- Denise Schaan e Martti Pärssinen, pesquisas sobre geoglifos do Acre.
- Iphan, cadastro de sítios no Acre.
- Universidade Federal do Acre, publicações de arqueologia regional.
- Sanna Saunaluoma, estudos de recintos geométricos na Amazônia ocidental.
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