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Mesoamérica

Quem foram os mexicas: o povo que se chama asteca nos livros

O povo que os livros chamam de asteca se chamava mexica. Em menos de um século construiu a maior cidade das Américas e um sistema tributário que se desfez no mesmo ritmo.

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  • Referências4 obras e acervos

Em resumo

  • Mexica é o nome que esse povo usava para si; "asteca" popularizou-se no século XIX.
  • Tenochtitlán foi fundada, segundo a tradição, em 1325, em uma ilha do lago de Texcoco.
  • A Tríplice Aliança, de 1428, cobrava tributo sem administrar diretamente a maior parte do território.
  • A cidade caiu em 1521 diante de espanhóis e de dezenas de milhares de guerreiros indígenas aliados.

Mexica, náuatle, asteca

Mexica é o etnônimo. A língua é o náuatle. A cidade principal era Tenochtitlán. O conjunto político que ela liderava com Texcoco e Tlacopan é a Tríplice Aliança.

"Asteca" deriva de Aztlán, o lugar de origem mítico da migração. O termo se difundiu no século XIX, sobretudo a partir de leituras europeias, e hoje é o mais reconhecido em buscas e em livros didáticos. É aceitável como rótulo amplo; é impreciso como nome próprio. Neste site usamos mexica para o povo e asteca quando o assunto é o modo como as pessoas procuram o tema.

Chegada tardia a uma bacia ocupada

As narrativas mexicas descrevem uma migração do norte até o vale do México, então já densamente povoado por altepeme — unidades políticas locais — de língua náuatle e de outras línguas. Os mexicas chegaram como grupo de status baixo, serviram a senhores tepanecas e receberam um ilhéu pantanoso no lago de Texcoco. A tradição data a fundação de Tenochtitlán em 1325.

Em 1428, sob Itzcóatl, a aliança com Texcoco e Tlacopan derruba Azcapotzalco. A partir daí, em menos de um século, a Tríplice Aliança se torna a força dominante da Mesoamérica central. É uma trajetória curta. Comparada à profundidade temporal maia ou olmeca, o auge mexica cabe em três ou quatro gerações.

Tributo, não administração direta

A lógica era militar e fiscal. Vencia-se uma região, fixava-se uma cota de tecidos, cacau, milho, penas e produtos locais, e as autoridades do lugar permaneciam no posto. O Códice Mendoza lista essas cotas com detalhe. O custo de governar era baixo; o custo político apareceu em 1519, quando povos tributários e rivais, sobretudo Tlaxcala, aliaram-se a Cortés.

Dentro da bacia, a organização era outra. O calpulli reunia famílias com terras, templo e escola. Havia mercados diários, comerciantes de longa distância — os pochtecas — e um sistema escolar obrigatório que distinguia a escola de bairro da escola da nobreza. O artigo sobre Tenochtitlán descreve a cidade que sustentava esse arranjo.

Religião e o tema que distorce o resto

O recinto sagrado era dominado pelo Templo Mayor, com santuários de Huitzilopochtli e de Tláloc no mesmo corpo de pirâmide. O calendário ritual de 260 dias e o ciclo de 52 anos organizavam cerimônias. O sacrifício humano existiu, está documentado arqueologicamente no Templo Mayor, e foi usado como argumento moral da conquista. O artigo específico sobre o sacrifício humano entre os mexicas separa evidência, números inflados e propaganda.

Reduzir os mexicas a essa prática apaga engenharia hidráulica, poesia em náuatle, códices, chinampas e um mercado que impressionou os próprios espanhóis.

A queda

Cortés entra na cidade em 1519. Em 1520 os espanhóis são expulsos. Nos meses seguintes, varíola atinge a bacia e Cortés reúne uma aliança indígena massiva. O cerco de maio a agosto de 1521 corta aqueduto e calçadas. Cuauhtémoc é capturado em 13 de agosto. Não foi um punhado de europeus derrubando um império: foi uma guerra regional, com maioria indígena no lado vencedor, contra uma capital já doente e isolada.

O que restou

O náuatle é falado por mais de um milhão de pessoas no México. O Templo Mayor está escavado ao lado da catedral, no Zócalo. Chinampas seguem em uso em Xochimilco. A bandeira mexicana conserva a imagem da fundação: a águia sobre o cacto.

O conteúdo sobre os mexicas e o quiz cobrem o conjunto. Para a cidade, leia Tenochtitlán.

Perguntas frequentes

Quem foram os mexicas?

O povo de língua náuatle que fundou Tenochtitlán no vale do México, segundo a tradição em 1325, e liderou a Tríplice Aliança a partir de 1428. São os mesmos que os livros didáticos chamam de astecas.

Por que se diz asteca se o nome era mexica?

"Asteca" vem de Aztlán, o lugar de origem mítico, e se popularizou no século XIX. Mexica é o nome que o próprio povo usava. Os dois termos circulam; mexica é o mais preciso.

Os astecas e os mexicas são o mesmo povo?

Sim, no uso corrente. Asteca é o rótulo amplo e tardio; mexica é o etnônimo. Nem todo falante de náuatle era mexica: havia muitos altepeme náuatles distintos no vale do México.

Qual era a capital dos astecas?

Tenochtitlán, em uma ilha do lago de Texcoco, no que hoje é o centro da Cidade do México. Tlatelolco, ao norte, era a cidade gêmea e sede do grande mercado.

Como os astecas foram conquistados?

Por um cerco em 1521, conduzido por forças espanholas e dezenas de milhares de guerreiros indígenas inimigos dos mexicas, sobretudo tlaxcaltecas, contra uma cidade atingida por varíola e com o abastecimento cortado.

Ainda existem descendentes dos mexicas?

Sim. O náuatle continua falado no México por mais de um milhão de pessoas, e a memória da cidade e de suas instituições está presente na capital mexicana, no Templo Mayor e em Xochimilco.

Referências

Obras, instituições e acervos consultados na preparação deste texto. Nenhuma afirmação foi incluída sem apoio em pelo menos uma dessas fontes.

  • Michael E. Smith, The Aztecs (Wiley-Blackwell).
  • Museo del Templo Mayor e INAH, materiais sobre Tenochtitlán.
  • Bodleian Library, fac-símile do Códice Mendoza.
  • UNESCO, Centro do Patrimônio Mundial: Centro Histórico da Cidade do México e Xochimilco.

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